Na última semana, o Cabana foi convidado para participar da coletiva de imprensa online da cinebiografia Hungria: A Escolha de um Sonho com estreia hoje (7) nos cinemas brasileiros.
Estavam presentes os diretores Izaque Cavalcante e Cristiano Vieira, o rapper Hungria e o elenco: Gabriel Santana (Hungria), Ramon Brant (Gabiru), André Ramiro (Neguim), Taty Godoi (D. Raquel) e Pamella Machado (Manu).
A cabine iniciou com o questionamento sobre qual a diferenciação desta cinebiografia para as outras do mercado e o que fez com que o elenco quisesse participar do projeto e contar essa história.
Cristiano Vieira, um dos diretores, começa falando que quando o Izaque trouxe essa história, ele não conhecia muito bem o Hungria, mas foi ouvir algumas músicas e conhecer melhor o artista.
Vieira afirma:
“Uma coisa que me marcou muito foi a sensibilidade do Hungria. A forma como ele é um cara agradecido, que ele saiu da periferia com um sonho, chegou lá e não esqueceu de quem está com ele e quem andou com ele. Um cara extremamente grato e que tem uma relação com as pessoas. Quem convive com ele sabe”.
Ele ainda complementa:
“A gente achou que essa história deveria ser contada porque ele é um patrimônio de Brasília, um artista de Brasília e a gente quer sempre tirar esse estigma que a cidade só tem político, gente corrupta, etc.”.
Izaque Cavalcante fala que a história cativou todos os dois e relata:
“Eu particularmente sempre fui fã do artista e quando eu descobri como era a história dele, a vida pessoal, a persistência, o que ele brigou para ser quem ele é hoje, me trouxe um interesse muito grande em contar essa história e trazer isso para o cinema. E o que diferencia esse conteúdo das outras cinebiografias é basicamente um artista que lutou com muitas coisas que hoje, eu acho que poucos de outras experiências que tiveram não conseguiriam lutar em relação ao que ele conquistou. E valeu a pena trazer isso para as telas”.
O elenco reforça sobre a oportunidade de contar a narrativa do artista preto da periferia de Brasília, sobre sair da bolha de São Paulo e Rio de Janeiro, reforçando que o Brasil é maior que as grandes cidades. O rap salva vidas e vale a pena lutar pelo que acredita mesmo quando existem barreiras no caminho.
Hungria foi questionado sobre como é a experiência em reviver a sua trajetória através de um filme e se existe alguma parte que ele ainda não se sente pronto para revisitar nas telas. O artista revela que é algo inacreditável e entra no propósito de Deus por meio do filme que é salvar vidas.
O cantor relata:
“É um sentimento de gratidão muito grande junto com um sentimento de responsabilidade maior ainda, porque quando Deus te coloca num novo lugar existem novas possibilidades. É mostrar para essa geração que talvez ver uma porta muito fácil na frente dela e achar que é um caminho certo, esse filme mostra exatamente que a dificuldade leva um caminho mais dificultoso, porém vale mais a pena!”.

Gabriel Santana relata sobre interpretar o protagonista, que ainda está vivo, e presente no set de filmagens e se isso afetaria o processo de atuação na criação do personagem. O ator enche a boca de orgulho ao falar que é um privilégio dar vida a uma pessoa que está presente no set, te ajudando, guiando e dando conselhos.
Santana explica:
“É muito mais confortável você estar no set que o próprio artista está ali para te ajudar e num lugar muito positivo. Porque acredito que poderia até virar uma pressão se o Hungria tivesse ali para falar ‘você está fazendo errado’. Mas, ele está ali sempre para somar e a família e os amigos dele também”.
E ainda complementa:
“Ele me tranquilizou muito. Porque realmente fazer a biografia de um artista vivo, eu estava com muito medo (risos). Mas, quando começaram as gravações eu conheci todo mundo e fiquei muito relaxado, de confiar no processo junto com a direção, que desde o início sempre foi sensível e cuidadosa. Então, para mim, acho que mais ajudou, na verdade não atrapalhou, só ajudou”.
O elenco também recebeu a pergunta em relação à construção do personagem, se eles tentam fazer todas as características e jeitos da pessoa ou se rola uma separação para não ficar caricato. Taty Godoi, que interpreta a Dona Raquel mãe do artista, fala que ficou com medo mas que preferiu não imitar e sim juntar as referências dela com a de sua mãe (que já faleceu), mas que tem características parecidas.
Godoi menciona:
“Eu peguei os dois lados, a minha avó, que também já faleceu, era assim muito brava, tinha que ter bença, beijava a mãe e tudo isso. E a mãe já era mais leve, escondia as coisas. E eu vi que a dona Raquel, porque assim, o que a gente conta no filme, não tinha muitas coisas dela na internet, porque foi bem depois. E eu fiquei ‘como que eu vou fazer ela? vou imitar? não, não vou’. Então eu peguei as referências de uma mulher preta que luta pelos seus filhos para dar uma boa educação, para que eles possam seguir o caminho certo, para que eles falem de Deus. E foi tudo da minha família, minha avó era um jeito mais brava, minha mãe era mais legal, então juntei as duas, porque a dona Raquel é isso, é aquela mãe firme e amorosa e que eles (filho e mãe) se amam!”.
Nesse momento, Pamella Machado que interpreta a Manu, irmã do cantor, pega o microfone e fala que tem uma grande fofoca de bastidores para contar. Hungria até tenta intervir falando para não passar o microfone (todos dão risada).
Machado fala com empolgação:
“Eu recebi para preparação um áudio maravilhoso da Manu. E aí eu ouvi aquele áudio de uma voz aveludada, falando sobre o Guga (Hungria). Então eu fui para esse lugar. Só que o Hungria me perguntou ‘como você vai fazer a Manu?’, eu falei vou fazer assim e tal, ele disse ‘tá muito boazinha, tem que trazer aquela minha irmã assim’ – Machado imita o cantor falando para ela ser mais firme. E eu falei, ok, agora assim eu entendi. Peguei os dois lados, porque nós somos plurais. Eu acho que esse é o nosso desafio como ator/atriz, pegar a pluralidade do ser humano para não conseguir estereotipar. Trazer ali um pouco de tudo, da personalidade dela”.
André Ramiro fala sobre o preconceito e as barreiras estruturais enfrentadas pelos artistas periféricos. O ator explica que a história do Hungria Hip Hop, por si só, conta com sobre um jovem que tem uma vida similar à de muitos jovens do Brasil. Principalmente para jovens artistas que tem talento e que muita das vezes não sabem por onde começar e o que fazer com aquele talento.
Ramiro reforça:
“A cinebiografia é uma história que vai tocar corações nesse sentido e que possivelmente vai fazer com que muitos jovens reflitam sobre o seu caminho, a partir da história do Hungria. Que realmente é uma história que merece ser contada! Porque eu venho da cultura hip hop também e venho de uma geração anterior. Comecei fazendo batalhas de MC e na minha época a gente não tinha perspectiva de viver da música, de onde tirar o sustento da música. O que a gente tinha era um sonho e a vontade de mudar o mundo. A partir da próxima geração, eu sinto que veio uma leva de rappers e personagens importantíssimos para a cultura hip hop. Uma nova vertente, uma nova característica dentro da cultura que é a ferramenta do trap, por exemplo. Jovens que a partir da batalha da geração anterior puderam realizar seus sonhos e bater no peito a reivindicação do que nós merecemos e que muitos artistas, infelizmente, ainda não alcançaram”.

Qual a mensagem que o público irá levar ao sair da sala de cinema após assistir cinebiografia Hungria: A Escolha de um Sonho? Todos respondem sobre a sensibilidade e gratidão do artista. O quanto é importante saber valorizar as relações, sua origem, família e acreditar sempre no seu sonho, o caminho pode ser árduo, mas com fé Deus te guiará pelo caminho!
Após a entrevista, o Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, em São Paulo, recebeu no dia 28 de abril, a imprensa, público convidado e elenco para conferir em primeira mão o novo longa do Hungria Hip Hop.
Hungria: A Escolha de um Sonho estreia hoje (7) em todos os cinemas do país. Confira a programação do cinema mais próximo de você.
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